- Você sabe que eu volto, ei... olha pra mim – e eu olhei, diretamente naqueles olhos negros sempre tão brilhantes - não sabe? – ele concluiu esperando uma resposta minha que eu não conseguia dar. Naquele momento, tudo o que eu queria era gritar para que ele não fosse pra longe de mim, que sem ele eu não conseguiria respirar direito, não conseguiria me equilibrar, não conseguiria sorrir.
Certo, pode parecer apenas um drama absurdo, pois, eu tinha apenas 15 anos e dizem que nessa idade você idealiza um príncipe encantado perfeito e por isso qualquer coisa era um drama e eu sempre fui dramática, mas, naquele dia eu não disse nada só olhei pra ele com os meus olhos vermelhos transbordando lagrimas que insistiam em marcar meu rosto.
No rosto dele eu conseguia ver que ele também sentia o mesmo, que queria gritar como eu, queria chorar, mas, ele jamais faria isso.
- Blanche... – ele tentava limpar minhas lagrimas – Para... Não chora - ele falou antes de me abraçar como se daquele jeito garantisse que tudo ia ficar bem, que nada ia me machucar e que logo ele estaria de volta, então ele olharia para mim com um sorriso enorme e diria ‘Eu falei que eu ia voltar’.
Em meio aquele abraço eu me perguntava o que eu ia fazer a partir do momento que ele entrasse naquele avião com destino aos Estados Unidos da América, eu não quis saber exatamente pra qual lugar dos EUA ele iria, eu sabia que depois eu iria ficar obsessiva.
Não sei dizer por quanto tempo ficamos ali abraçados, mas, pra mim pareceu pouquíssimo, porem o suficiente para eu nunca mais esquecer acho que é a única memória que nunca vai se apagar.
Algumas coisas que aconteceram naqueles tempos ‘perfeitos’ eu não me lembro mais, se perderam ou eu preferi esquecer, mas o fatídico dia que ele me deixou foi o ponto de partida para tudo mudar, algumas coisas para melhor outra para bem pior. Talvez por causa disso eu tenha me tornado essa pessoa fechada que não se permite a quase nada, talvez quando se perde algo preciso demais você tende a fazer isso quer dizer... Fechar-se para o mundo, não permitir ninguém perto demais com medo de perdê-lo. Sim, esse é meu grande medo, perder as pessoas que eu amo. Meus amigos, meus irmão... Meus pais. Será que eu sobreviveria à outra perda? Não sei... Provavelmente não.
Aos poucos ele foi me soltando para poder olhar para mim, respirou fundo e me ficou me encarando enquanto eu tentava desviar os meus olhos do dele e soltar nossas mãos, em vão, quanto mais eu tentava mais ele me apertava.
- Isso não é um fim. Por isso, não vou terminar nada com você. O que temos jamais vai acabar. - ele me disse naquele jeito serio capaz de me fazer acreditar em qualquer coisa. Então me beijou como se sua vida dependesse daquele contato. Pra mim parecia como um ultimo beijo, eu sabia que por mais que ele eventualmente voltasse eu nunca sentiria seu beijo daquele jeito novamente.
De olhos fechados e com a testa encostada na minha ele sussurrou‘‘Eu te amo, sempre vou amar e jamais te esquecerei”
Eu bloqueei todas as memórias dos dias após o avião dele levantar vôo, me lembro de beber e fumar muito mais do que eu deveria e passar a outra parte do tempo dormindo, me recuperei praticamente sozinha de uma depressão - Obrigada Bruno - e me levantei de novo, conheci novos e inestimáveis amigos, me apaixonei - ou tentei acreditar que era uma paixão, funcionou por um tempo -, me decepcionei com pessoas extremamente importantes para mim, tantas coisas aconteceram! Tantas coisas que eu não fiz e tantas que eu fiz.
Bom eu o vi algumas poucas vezes uma mais, alguns feriados, alguns dias em que ele surgia do nada no Brasil. Eram lindas... Todas às vezes, mas, toda vez que ele ia embora ele sabia que com ele ia uma parte de mim e que doía muito.
O meu consolo – mesmo não sendo grande coisa - era a consciência que eu o veria novamente, que o tocaria, que… o sentiria agora me pergunto como supostamente eu deva agir sem esse consolo. O fato inquestionável de que jamais vou poder tocá-lo, senti-lo, vê-lo de verdade.
Não importa quantas pessoas eu me apaixone, ou tenha me apaixonado enquanto ele estava vivo e longe de mim. Ele é o amor da minha vida. Vivo ou Morto eu o amo e não sei como agir agora... Hoje 12-08-2011 fazem 4 anos que o coração dele parou de bater e eu ainda não sei como viver com isso. Talvez não vá saber nunca, mas, eu sigo fazendo o que ele me ensinou: ‘Eu acho que você devia mostrar ao mundo esse sorris, sabe que... desse jeito o mundo vai corresponder pra você é contagiante, o sorriso, pode mudar seu dia e até sua vida. Sabe aquele musica do Charlie Chaplin? Então... Ele nunca esteve tão certo. Sorri pra mim Blanche, pra você eu sempre vou sorri de volta.” Então eu vou sorrir, vou tentar fazer o que eu sei que ele sempre quis pra mim, que eu seja feliz, que ame de novo. Por hora eu espero algo para me trazer de volta, algo forte o suficiente pra me ressuscitar do meu estado temporário de ‘quase-morte’ Enfim... Eu sigo sorrindo por ele, pra ele.